19/02/2010
Feijão das águas
Colheita da safra de feijão das águas chega à metade
...A colheita da safra de feijão das águas chegou à metade, em Minas Gerais. Com o aumento da quantidade de grãos no mercado, o preço caiu e trouxe preocupação para os agricultores.
O clima ajudou e os produtores em Minas Gerais estão colhendo a melhor safra de feijão dos últimos anos.
Na propriedade em Lagoa Formosa, no alto Paranaíba, a produtividade média passa de duas toneladas de feijão por hectare. A qualidade também agrada. Mas o que mexe com o bolso do produtor é o valor pago atualmente por cada saca de 60 quilos, que, praticamente, empata com o custo de produção.
“A qualidade está boa e a produtividade também. O tempo ajudou. Mas o custo do produto é que não está ajudando. Num feijão de boa qualidade eu pego cerca de R$ 50 e o custo dele é esse também. Não tem como manter lucro”, avaliou o agricultor Roberto Schincariol.
No mês passado, quando começou a colheita, o agricultor Oliveiros Martins contou que o preço estava melhor. “Em janeiro estava R$ 65. Colhia cerca de 60 hectares. Hoje, está na faixa de R$ 50 a saca”, disse.
Minas Gerais é o segundo maior produtor e deve colocar no mercado mais de 243 mil toneladas só na primeira safra. De acordo com o analista de mercado Reginaldo de Andrade, o preço baixo é justamente por causa da grande oferta do produto no mercado.
“Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás estão tendo safra nesse momento. Alguns lugares iniciando e outros finalizando. Mas, no geral, todos os Estados têm bastante feijão”, explicou Andrade.
Se por um lado, neste momento, em Minas Gerais, o preço do feijão não agrada os produtores; por outro, existem dois fatores dos quais eles não reclamam: o clima e a produtividade do feijão na safra das águas foram excelentes, o que ajuda a dar uma expectativa de lucro até o fim da colheita.
“A partir de março, quando passa a colher um feijão de qualidade e o governo passa a comprar, realmente, vai ter mais valor e pode aparecer para o produtor”, concluiu Martins.
Ano passado, nessa mesma época, o produtor de Minas Gerais estava recebendo cem reais, em média, pela saca de 60 quilos de feijão.
GLOBO RURAL
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